quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Bibliotecas

As bibliotecas deviam ser declaradas da família dos aeroportos, porque são lugares de partir e de chegar.
   Os livros são parentes directos dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem dentro do próprio ar, a ver o que existe para depois do que não se vê. 
   O leitor entra com o livro para o depois do que não se vê. O leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo... Continuar a ler

[Valter Hugo Mãe, in "Contos de cães e maus lobos]  

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Próxima sessão a 15 de fevereiro - "Outono" de Ali Smith


Os leitores poderão interrogar-se sobre este pequeno vídeo ou não. Há algo que tem a ver com o livro "Outono". Pauline Boty, a artista plástica que  morreu aos 28 anos e  por quem o personagem desta história Daniel se apaixonou - literatura ou realidade ou as duas.

Leiam esta obra literária e apareçam! Dia 15 de fevereiro, às 21H00, na Biblioteca Municipal Ary dos Santos

jazz para criar o ambiente de um sonho que não é americano

Em janeiro, as noites são frias. O livro de Chimamanda Ngozi Adichie, "Americanah" tem 714 páginas. A nossa roda era pequena, mas a conversa foi longa e calorosa . Embalados numa sonoridade de jazz com que a nossa convidada Eunice Barbosa, jovem de 19 anos, saxofonista da banda da Academia Sons & Harmonia e aluna da Escola de Jazz do Ho tclub de Portugal nos brindou, criando o ambiente propício à reflexão sobre sonhos desfeitos numa América de "sonho". Ifemelu, jovem nigeriana, vai estudar para os Estados Unidos da América e descobre, por fim, a gloriosa América, onde não contava dormir no chão. Afinal, uma negra não americana.
Esta grande obra literária parte de uma história de amor entre Ifemelu e Obinze, interrompida pela necessidade de imigrar, ela legalmente para os EUA e ele, impedido pelos acontecimentos do 11 de setembro, de viajar para a América, imigra ilegalmente para Inglaterra. Duas histórias diferentes que nos envolveram e que nos fizeram pensar em muitos assuntos da atualidade, como a migração, a identidade, o racismo, o feminismo e sobre nós humanos - "Não podemos ser só humanos?" pergunta Ifemelu no seu blogue. É uma boa questão para refletirmos até à próxima sessão da Comunidade de Leitores.







quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Natal

Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

- Mas quando será de todos?


[Sidónio Muralha]

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Uma aula de História do Islão na 2ª sessão da Comunidade de Leitores




A 2ª sessão da Comunidade de Leitores, realizou-se na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém.
A sessão prometia. A obra literária "Submissão" de Michel Houellebecq, livro político, cuja narrativa traça um cenário pouco esperado num país ocidental. Diz a sinopse "Às portas das eleições presidenciais, a França está dividida. O recém-criado partido da Fraternidade Muçulmana conquista cada vez mais simpatizantes, graças ao seu carismático líder, numa disputa directa com a Frente Nacional."

Esta sessão contou com dois convidados, dois jovens, com um vasto curriculum.

  Elsa Fernandes Cardoso, licenciada em Estudos Asiáticos e mestre em História do Mediterrâneo Islâmico e Medieval pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com uma tese sobre a orientalização da corte de Córdova, orientada pelo Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes, da mesma Instituição. É presentemente bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, com um projeto relacionado com a institucionalização do cerimonial de corte no Al-Andalus.  É investigadora integrada do Centro de História da Universidade de Lisboa no Grupo de Investigação "Cultural Encounters and Intersecting Societies", seguindo a linha de investigação dos estudos meditterânicos. Encontra-se presentemente associada à docência da cadeira de "Islão Asiático: Passdo e presente",  regida pelo Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes, da licenciatura em Estudos Asiáticos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre outras atividades e interesses.

 Gonçalo Matos Ramos é licenciada em História e mestre em História do Mediterrâneo Islâmico e Medieval pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com uma tese sobre a sociedade de fronteira do Entre-Douro-e-Tejo no século XI, orientada pelo Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes, da mesma Instituição. É presentemente bolseiro de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, com um projeto relacionado com as relações entre cristãos e muçulmanos no Magrebe Ocidental nos séculos XV-XVI, igualmente orientado pelo Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes. É investigador integrado do Centro de História da Universidade de Lisboa no Grupo de Investigação "Cultural Encounters and Intersecting Societies". Encontra-se presentemente associado à leccionação da cadeira de "História do Islão Medieval", regida pelo Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes, da licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre outras atividades e interesses.

Os leitores desta comunidade  tiveram oportunidade de ter uma aula sobre a história do Islão, ao longo dos séculos que ajudou a compreender e até a ver com outro olhar o Oriente mas também o Ocidente. A história é complexa, porque não podemos olhar de igual forma para todos os países muçulmanos, porque há muitos factores,  religiosos, políticos, entre outros que os diferenciam. Referiram que, o que está a acontecer na biblioteca, um encontro de leitores cuja maioria são mulheres, para discutir um livro, também, é natural e possível acontecer no Irão. Existem as mesmas condições e liberdade para homens e mulheres estarem reunidos. Aliás, a maioria dos estudantes do ensino superior no Irão são mulheres. Na Arábia Saudita não é assim. Nos países do Magrebe também é diferente. No Ocidente também há bastantes diferenças entre os países, Portugal é diferente de França, os Estados Unidos da América também são diferentes de outros.

O conhecimento aliado à literatura, trouxe reflexões brilhantes sobre um livro de um escritor, que é um provocador e que causa o desassossego no leitor e até irritação.

Realidade ou literatura é isto, uma aprendizagem constante e esta noite ficámos muito mais ricos porque, certamente, todos nós aprendemos nesta aliança entre a Academia e a Sociedade Civil.

PS: partilho um dos livros que circulou por todos - Orientalismo de Edward W. Said.






sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

"O Primeiro Dia" de Sérgio Godinho


 "O Primeiro Dia" da autoria de Sérgio Godinho interpretado pela Orquestra Ligeira da Sociedade Recreativa e Musical 1º de Agosto Santa Iriense  foi a  surpresa preparada para o Sérgio Godinho. Momento bonito na Biblioteca Municipal Ary dos Santos.